Investigação que começou no interior apreende contratos em Mogi

O Ministério Público de São Paulo informou nesta quarta-feira (20) que apreendeu na Prefeitura de Mogi das Cruzes editais de chamamento público e contratos firmados com a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf). A administração municipal informou que a Secretaria Municipal de Gestão “já forneceu os documentos referentes à empresa, que vem sendo investigada pela Justiça. Há um contrato de 2015 em vigor.”

Seis pessoas, entre funcionários, presidente e ex-presidente da Coaf, foram presos nesta terça-feira (19) em Bebedouro (SP). Dos presos, quatro foram soltos durante a noite de terça.e são investigadas por oferecer proprina a funcionários públicos de ao menos 17 prefeituras paulistas para fraudarem chamamentos públicos destinados à compra de merenda escolar. A operação foi batizada de “Alba Branca” e está sendo coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com o Ministério Público, cooperativas podem ser contratadas por meio de chamamento público, sem licitação.

 De acordo com o promotor Leonardo Romanelli, os contratos onde houve as buscas foram reunidos para serem analisados. “Sabemos que havia pagamento de propina. Todavia, falta ainda direcionar em quais prefeituras havia pessoas recebendo para fazer essas contratações. Existem contratos dessa cooperativa com dezenas de municípios do Estado de São Paulo. Isso não significa que todos tenham sido fraudados”, explicou o promotor.

Ainda de acordo com o promotor, as propinas variavam entre 10% e 30% do total do contrato que seria firmado entre a Coaf e a Prefeitura, e esse valor era acrescido no preço final, o que ocasionava um superfaturamento dos produtos negociados. “Também está sendo analisada a evolução patrimonial desses vendedores, dos personagens da Coaf, que enriqueceram muito rapidamente nos últimos anos, em virtude desses contratos, dessa forma ilícita de agir”, disse.Cerca de R$ 135 mil em dinheiro apreendidos durante a manhã na casa de um dos suspeitos seriam usados na fraude, em Bebedouro.

Romanelli destacou que também existe a suspeita de que nem todos os alimentos vendidos pela Coaf aos órgãos públicos eram produzidos por pequenos agricultores, ao contrário do propósito da Cooperativa. “Temos indicativos muito fortes de que a Coaf comprava de grandes mercados e repassava às prefeituras”, disse o promotor.

Mogi das Cruzes
Segundo informações apuradas pelo G1 no Portal da Transparência de Mogi das Cruzes, a administração municipal já firmou três contratos com a cooperativa, entre os anos de 2011 e 2015. O mais recente, firmado no ano passado, refere-se a compra de 900 mil caixas de 200 ml de suco de laranja natural, integral e pasteurizado para a rede municipal de educação no período de um ano. Cada caixa foi vendida por R$ 1,74 e o valor total do contrato é de R$ 1,5 milhão.

Investigação
O delegado seccional de Bebedouro, José Eduardo Vasconcelos, explicou que a investigação do caso teve início há seis meses, após um ex-funcionário da Coaf procurar o 1º Distrito Policial da cidade para denunciar o suposto esquema.

A partir daí, os investigadores conseguiram apreender, em 9 de dezembro do ano passado, cerca de R$ 95 mil em dinheiro que estavam sendo transportados por um dos suspeitos e seriam destinados ao pagamento de propina a um agente político. Os nomes não foram revelados.

“Eles assediavam determinados servidores de prefeituras, oferecendo os serviços. O serviço é prestado, só que eles combinam um sobrepreço para que haja vantagem financeira para o agente da Prefeitura, para o próprio vendedor, para a Coaf e também para o agente político que fez a intermediação”, explicou o delegado.

Fonte: http://g1.globo.com/

Blog Attachment
  • minha-casa-2

Related Posts

Leave us a reply

LiveZilla Live Chat Software
Olá, em que podemos te ajudar?
Enviar